As plantas são muito mais astutas do que pensávamos. Cientistas descobriram recentemente que o Dodder, uma planta parasitária problemática que causa milhões de dólares em prejuízos todos os anos às colheitas, pode basicamente invadir os genes do seu hospedeiro.

Lêste bem. Uma planta parasitária pode invadir os genes do seu hospedeiro, tornando o hospedeiro mais vulnerável no futuro.

Já sabíamos que existia musgo que pode remover arsénio da água. Acabámos de aprender que as plantas podem aprender a reagir a estímulos como um animal. As plantas podem curar-nos. Elas melhoram o nosso humor só por existirem. Mas plantas que conseguem invadir os genes de outros animais é uma coisa totalmente nova.

Esta pesquisa é um pouco técnica, mas aguenta aí — vamos torná-la fácil de entender.

O Dodder pode partilhar RNA com as suas plantas hospedeiras. O RNA essencialmente atua como um mensageiro, ajudando os seres vivos a transportar instruções do DNA. O microRNA é um subgrupo do RNA que ajuda especificamente outros tipos de RNA a ligar ou desligar.

 

Relembra os teus conhecimentos de biologia do ensino superior com este vídeo, ou simplesmente mantém em mente que o microRNA pode desligar genes ao interagir com outros tipos de RNA. Pelo menos uma planta parasitária usa microRNA como arma.

 

Durante algum tempo, os investigadores não sabiam porquê que o Dodder partilhava RNA com os seus hospedeiros.

 

Os investigadores acabaram de encontrar a razão. O microRNA do Dodder desligava na verdade genes na planta hospedeira, tornando-a mais vulnerável a ataques do Dodder.

Ainda não sabem exatamente como é que isto tudo funciona.

Jim Westwood, um dos investigadores que escreveu o estudo original, não escondeu o significado das suas descobertas. Numa entrevista à Virginia Tech News, disse: “A interação hospedeiro-parasita envolve o uso de microRNAs como mensageiros do desastre. Eles estão a sequestrar informação do hospedeiro… Os microRNAs são uma nova classe de arma usada nesta guerra.”

Os investigadores têm estudado o microRNA há algum tempo como uma possível forma de as plantas comunicarem (e atacarem) umas às outras. Uma pesquisa em 2016 descobriu que ervas parasitárias podiam roubar informações genéticas dos seus hospedeiros e usar essa informação para os atacar ainda mais.

Agora que os investigadores sabem o que o Dodder está a fazer para enfraquecer as defesas da planta hospedeira, estão focados em compreender como o Dodder o faz. Uma vez conseguirem entender como o Dodder efetua este ataque furtivo, poderão desenvolver contra-defesas.

Como as plantas parasitárias causam tantos danos às culturas importantes todos os anos, descobrir como controlar o Dodder é uma prioridade alta na agricultura industrial. O Dodder é também conhecido como parasita obrigatório, o que significa que não pode sobreviver sem uma planta hospedeira.

 

 

Como uma Planta Parasitária Introduz o seu microRNA no seu Hospedeiro

 

O Dodder usa os mesmos mecanismos para roubar nutrientes e partilhar microRNA. Esta planta parasitária liga-se ao sistema vascular das suas plantas hospedeiras, roubando água e nutrientes. Normalmente, uma planta hospedeira ativa defesas quando percebe que foi “invadida.”

Muitas plantas atacadas por um parasita produzem proteínas aglutinadoras que bloqueiam o fluxo de nutrientes para o local afetado. Os investigadores mostraram que o microRNA do Dodder tinha como alvo os genes que codificam este comportamento de aglutinação. Estes genes são muito semelhantes numa ampla variedade de espécies, o que significa que o Dodder pode derrubar muitos tipos de plantas com uma única estratégia de ataque de microRNA.

Atacar os genes que codificam as proteínas que produzem a coagulação parece um caminho indireto. Na realidade, esta estratégia de ataque significa que o Dodder obtém um fluxo ininterrupto de nutrientes da planta hospedeira. Em vez de tentar lidar com um fluxo de nutrientes reduzido, o microRNA do Dodder força simplesmente a planta hospedeira a partilhar os nutrientes livremente.

Honestamente, é um pouco assustador.

Os investigadores também suspeitam que ataques baseados em microRNA são mais comuns entre plantas e fungos do que pensávamos. Desenvolver uma forma de as culturas importantes defenderem-se das plantas parasitárias pode poupar aos agricultores milhões de dólares por ano.